terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O PENSAMENTO


O pensamento, sob alguns aspectos, ainda continua sendo para a ciência, um “desconhecido”. Entretanto, novos horizontes vêm sendo desvelados pelos cientistas nessa fascinante jornada. Nos referimos, entre outros, ao trabalho do neurocientista Brian Salzberg da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que desenvolveu a denominada técnica da “sonda potenciométrica”, que registra e se orienta – uma vez inserida no cérebro de um paciente através de um finíssimo cateter – por diferença de voltagem. Cientistas britânicos, introduzindo essa sonda com uma microcâmera no cérebro de um paciente, obtiveram, via computador, fotos de sinais elétricos que viajam entre os neurônios a uma velocidade de 450 Km/h.
Com essas incursões “fotográficas” pelo cérebro, os cientistas começaram a sugerir que esses sinais elétricos formam o que denominamos de “pensamentos”. Emmanuel, no final dos anos 50, já anotava que “o pensamento é força eletromagnética.” Essa “força” forma no cérebro uma espécie de “linguagem interna” conforme o comando da mente, e possui segundo alguns estudiosos da linguística, a vocação para o positivo e a felicidade.
Na prática, no entanto, muitas pessoas diante dos problemas do mundo, passam a adotar um padrão de pensamento melancólico, pessimista e permeado de queixas. Isso vai criando e condicionando, na interação cérebro-mente, hábitos de pensar negativo. O cérebro vai formando redes de comunicação em torno dessas idéias (ódios, fracassos, impotência, dramas, etc.) e, obviamente, esses pensamentos vão compondo a tessitura da vida, individual e coletiva, da própria pessoa.
Alimentar e colecionar infelicidades em nada contribuirá para resolver os desafios humanos ao contrário, aumentá-los-ão. A sintonia mental que estabelecemos e alimentamos é fator determinante de nossa própria qualidade de vida. A mente é a base de toda realização. Mas o que é a mente? Torna-se necessário fazermos uma importante diferenciação, à luz do Espiritismo, entre mente e cérebro.
A mente é a sede da vontade, a verdadeira fonte do pensamento: o espírito; ser imortal e pluriexistencial que, no corpo ou fora dele, possui o dinamismo da vida, da individualidade, do livre-arbítrio, etc. O cérebro é a câmara biológica, através da qual o pensamento do espírito encarnado se manifesta ou se exterioriza. Para sermos práticos, o cérebro é o “computador”, enquanto o espírito, o “digitador”.
Dessa forma, a “mente” ou “espírito” é o agente produtor das ideias que inundarão os neurônios e produzirão a química cerebral. Assim, quando pensamos, estamos irradiando energias de variados matizes, não somente com um impacto determinante em nossa saúde, em nosso meio social, mas na própria relação com a vida no sentido mais amplo, como afirmou Jesus: “batei e abrir-se-vos-a”, “pedi e vos será dado”. Atraímos a realidade que, sistematicamente, idealizamos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O "ANO NOVO" E A NOSSA RELAÇÃO COM O TEMPO


Na mitologia grega, quando Urano, o Céu, fecunda a Terra, nasce a geração dos Titâns e, dentre eles, Cronos, o tempo. Com extrema ferocidade, Cronos devora os seus próprios filhos, com exceção de Zeus que resiste ao tempo, conquistando a imortalidade. O tempo é implacável! É rápido como um raio de luz que cruza o ambiente com uma rapidez audaz, imperceptível. O tempo é dominador, subjuga as criaturas humanas de forma indelével e a faz suas escravas.
Voltando para a mitologia, agora romana, Jano era cultuado como o “deus dos inícios”. Divindade responsável pelo fim de uma etapa e início de outra. No calendário romano e depois cristão, deu origem ao nome “janeiro”, definido como o primeiro mês do ano. Dezembro, último mês do ano representa matemática e simbolicamente o fim de uma etapa, com suas experiências, acertos e desacertos, méritos e deméritos, felicidades e desditas. Vivemos na órbita do tempo e de suas representações.
O relacionamento humano com o tempo carrega uma forte bagagem de subjetividades ancoradas na memória que, aliás, na mitologia grega, é a irmã de Cronos. O tempo é depositário das lembranças, dos fatos vividos em família, com amigos, dos afetos e desafetos. Boas e más recordações fazem parte da vida. Algemar-se ao passado, principalmente sobre os eventos negativos, é algo que exige ser bem administrado pelo departamento da inteligência e dos sentimentos. Em nada contribui uma fixação melancólica no passado, uma vez que essa fixação, normalmente, retira da pessoa o foco principal de sua vida: o presente.
Ao aproximar-se o período de final de ano, pessoas há que se dizem envolver, sem que saibam explicar, por uma boa dose de tristeza e melancolia. Ficam quietas, buscam o isolamento evitando festas e diversões. A psicologia busca uma possível explicação para esse fenômeno em prováveis conteúdos inconscientes, vividos consciente ou inconscientemente, em algum momento da vida e que, por algum motivo, afloram nessa época: a perda de uma pessoa, um desencanto amoroso, objetivos alimentados durante aquele ano mas não atingidos, etc.
Nem todos, portanto, estão convencidos de que devem comemorar, ufanisticamente, a virada do ano. Alguns preferem o silêncio. Familiares e amigos muitas vezes não compreendem, nem respeitam, tais posturas. Cada pessoa tem sua própria forma de reagir a essas representações do tempo, pois isso mexe com conteúdos profundos de nossa alma.
Ocorre, na lógica comum, que comemorar o fim de ano é fazer o que todos fazem: vesti-se de branco, se possível ir para a beira da praia, tomar champanhe e terminar a noite numa boate ou a um show qualquer, uma verdadeira festa de passagem. Quem adota outro comportamento que fuja dessas convenções é considerado uma espécie de “subversivo”, ou deve “estar doente”.
O relacionamento do homem com o tempo possui uma dimensão cultural, simbólica, idílica ou lúdica. O final do ano, nesse contexto representa uma forte tradição cultural no universo dos rituais de passagem, herdeiros do imaginário ancestral, e dos rituais pagãos. O fato é inquestionável: somos seres fortemente influenciados pela noção de tempo. Parece haver um tempo para tudo, e comportamentos convencionados para cada situação. Negar-se a aceitar essas representações do tempo sobre nós, parece ser tarefa quase revolucionária, anarquista mesmo!
Mas, como tantas outras revoluções, que expressão até certo ponto a rebeldia humana, o rebelar-se contra o tempo, seus significados e efeitos sobre nós não mudará a temporalidade das coisas. Será uma batalha perdida! Melhor, talvez, seja aprendermos a conviver bem com o presente e tudo o que dele possamos extrair para torná-lo pleno de possibilidade e de ações afirmativas na composição de um ser humano mais ético e solidário.

domingo, 19 de dezembro de 2010

UM NOVO SENTIDO PARA O NATAL


Os historiadores do cristianismo empenham-se por encontrar os indícios materiais que comprovariam a existência do homem Jesus. Além da Bíblia, encontramos outras poucas referências a Jesus em autores como Flavius Josephus, um historiador judeu do primeiro século. Em sua obra: Antiguidades , ele afirma: “Havia por aquele tempo Jesus, um homem sábio, se for direito chamá-lo de homem...”
No século II, Tácito, um famoso historiador romano também se refere a: “...Cristo, que o procurador Pôncios Pilatos entregou ao suplício.” Seria desnecessário enumerar outras referências. O fato é que o cristianismo ganhou cada vez mais espaço dentro do declinante Império Romano, passando, também, a sofrer uma mistura cultural, quase inevitável.
Dessa forma, a data que hoje conhecemos como atribuída ao Natal, foi definida no ano 336 d.C. O 25 de dezembro, oficializado no século IV, originou as festividades do nascimento de Jesus. Foi uma transposição cultural às comemorações, na mesma data, do nascimento de Mitra, o deus-sol de origem Persa.
O Natal, entretanto, aí está, quer seja nos seus aspectos simbólicos, ou no sentimento que impele o ser humano a uma profunda revisão de seus valores. Na crise de civilização que a humanidade atravessa, a proposta cristã – fundada na ética do amor – é muito mais profunda do que as meras apelações comerciais construídas pela sociedade capitalista.
Na verdade, podemos identificar na mensagem natalina um verdadeiro desafio à renovação interior. Muito embora sem nada escrever, Jesus Cristo continua influenciando milhões de pessoas, em todo o mundo. Longe de estarem superados, os seus ensinos morais representam um admirável repositório de sabedoria capaz de promover uma convivência, entre indivíduos e povos mais pacífica e fraterna. Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec na questão 625 indagando os benfeitores espirituais sobre quem seria o Ser mais notável que Deus enviou à Terra para nos servir de modelo e guia, obteve como resposta: “Jesus”.
Figura paradigmática, Jesus é o homem mais falado da história. Sobre nenhum outro personagem se escreveu tantos livros, seja para desvendar sua personalidade, para interpretar seus ensinos ou para mencionar seus fatos notáveis. Apesar disso, o jornalista e psicólogo espanhol Juan Árias chegou a afirmar sobre Jesus: “Esse grande desconhecido”. Antes dele, no entanto, o historiador francês Ernest Renan já havia dito que Jesus era: “Um homem incomparável”.
O Natal não deve ser visto nos acanhados limites dos rituais religiosos ou nos festejos para troca de presentes. A proposta apresenta por Jesus nesses vinte e um séculos de cristianismo é profundamente inovadora, repercutindo numa nova ética para a vida. O valor da Boa Nova, mensagem de amor trazida por ele, é de alta transcendência para o homem.
Nos dias atuais, marcados por tanta rigidez dos sentimentos, de violência e de desigualdades sociais marcantes caracterizando uma sociedade que atingiu alto nível de desenvolvimento tecnológico, mas que ainda se encontra encarcerada nos grilhões da indiferença, a mensagem do Cristo é emblemática para a edificação de uma nova sociedade.
O verdadeiro sentido do Natal, portanto, se dará quando Jesus, e tudo aquilo que ele representa nascer efetivamente na Terra. Dessa vez, não mais em uma tosca cabana, mas no coração do próprio ser humano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Manifesto contra o aumento imoral no salário dos deputados federais


Esse é um espaço destinado geralmente para temas filosóficos envolvendo espiritualidade. Mas, julgo necessário abrirmos, nesse momento, espaço para um manifesto de repúdio, onde nos associamos à indignação de grande parte da população brasileira. É sabido que o Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo. O cidadão que cumpre com seus deveres para com o Estado, que ganha como uma grande parcela da sociedade brasileira, até dois salários mínimos, sente-se profundamente horrorizado diante do escárnio cometido pelos senhores deputados federais.
A categoria que, por natureza histórica, goza de profundas benesses dentre as quais, a de votar seu próprio aumento salarial. São esse indivíduos, verdadeiros parasitas do poder, de suspeita moral, que votam para si um aumento absurdo de 60% em seus salários. Imaginem o que irá representar isso para os cofres públicos e, portanto, para os nossos bolsos? São 513 deputados federais que chegavam, antes do aumento, a custar para a sociedade brasileira, cerca de 100 mil reais por mês, cada um. Obviamente, pelo fato dos senhores deputados terem verba de 50 mil para pagarem seus assessores, assinatura dos principais jornais e revistas do país, verba para no mínimo duas passagens de avião, custos com gasolina, telefone celular.... Tudo isso pago por nós!
Como se já não bastasse, eles – apesar do salário de 16 mil por mês - estavam com dificuldades para sobreviver. Era necessário mais! Foi com essa ganância abissal, com o instrumento de uma votação esdrúxula que, na calada da noite, passaram seus parcos salários para 26 mil reais por mês. Um verdadeiro escárnio com o trabalhador brasileiro. Sorte do Tiririca que iniciará seu mandato já com o novo salário. Certamente sua votação foi emblemática, também nesse sentido. Há uma mensagem por traz dessa votação exclamando que: “a política no Brasil deixou, faz muito tempo, de ser coisa séria.”
O que mais poderemos esperar desses deputados? O que podemos pensar, nesse país, onde policiais militares e professores ganham miseráveis salários, muitos tendo que fazer “bicos” para poderem levar uma vida material menos penosa. Realmente é desolador, pois é o povo que sustenta esses políticos ignóbeis, verdadeiros “picaretas do poder” e inoperantes funcionais.
O certo é que a sociedade brasileira continua sendo traída pelos seus lídimos representantes que, uma vez eleitos, passam a legislar em causa própria, em nome de seus interesses pessoais e corporativos. O aumento imoral, nada mais reflete, portanto, do que a “imoralidade” daqueles que o aprovaram.

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