segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ENFERMIDADE E FAMÍLIA

Refletindo sobre o imenso leque das experiências familiares, deparamo-nos com as situações de enfermidade envolvendo membros da família e, muitas vezes, criando quadros comportamentais de desequilíbrio e crise na convivência.
Certa oportunidade, chegou até nós um casal já idoso, demonstrando grande tristeza. Atendendo-os separadamente, a senhora nos informou que atravessavam um momento muito difícil em suas vidas. O esposo, que no passado havia retirado um tumor de próstata, vivia, novamente, o drama de um novo tumor. Contou-nos que o marido não conseguia dormir à noite, passando longas horas caminhando pela residência. Também a sua personalidade apresentava, agora, traços de agressividade, indignação e pessimismo. Tal situação estava, naturalmente, gerando uma crise em suas convivências.
À luz da Doutrina Espírita, informamos que, em face a um momento tão difícil e desafiador, ela necessitava encontrar forças para compreender e auxiliar o esposo. Ser, mais do que nunca, o ombro amigo e afetuoso, cuja atitude de equilíbrio e perseverança poderia muito influenciar positivamente sobre o emocional de seu marido.
Segundo a Dr.ª Elisabeth Kübler-Ross , uma das maiores autoridades do mundo na terapia de doentes terminais, o diagnóstico de um tumor maligno ou de patologias que podem levar a curto e a médio prazo a desencarnação (morte) produz, normalmente, no paciente algumas reações:
a) negação do diagnóstico e isolamento. O paciente considera os exames equivocados ou houve troca nos exames que pertenciam a outro paciente... Com isso deixa-se envolver em tristeza e melancolia, buscando o isolamento pessoal que poderá durar alguns momentos, ou até os instantes terminais.
b) raiva, revolta, ressentimento, inveja. É muito mais difícil para a família lidar com o estágio da raiva. O paciente passa a reagir com hostilidades aos médicos e aos próprios familiares. Emerge um sentimento de indignação e revolta contra as pessoas e contra Deus. É uma fase delicada e desafiadora que exigirá muita compreensão dos familiares que, na maioria da vezes sofrem juntos com a pessoa enferma.
c) Depressão. Nessa fase, informa a Dr.ª Ross, o paciente pode apresentar depressão quer pelo sentimento de culpa de não poder ajudar mais os familiares, pelo gasto do tratamento, do tempo desperdiçado quando possuía saúde..., quer pelo desejo de desligar-se de seus pertences, afeições....
d) Barganha. É quando o paciente busca negociar com Deus, fazendo promessas, simpatias, etc, num ato de última esperança de ver seu quadro clínico revertido.
e) Aceitação. Para aqueles que desenvolveram fé sólida e convicta na justiça divina e na imortalidade da alma, essa é uma fase mais tranqüila do processo. Esses vários estágios podem, naturalmente, se entrelaçarem e ocorrerem não rigorosamente dessa forma, ressaltando-se mais uma ou outra fase.
A Dr.ª Elisabeth anotou, também, o despreparo dos familiares e amigos, muitas vezes, envolvendo o enfermo numa sensação de abandono, de solidão e de desprezo.
O caso da senhora com quem conversamos, entretanto, demonstrava uma profunda relação afetiva e daí, o sofrimento com as reações do marido. Como se manter em equilíbrio para poder ajudá-lo? Temos, resumidamente, dois caminhos: ou procuramos empreender esforços para nos manter em equilíbrio visando atenuar esse clima de enfermidade, com uma postura de confiança na vida e em seus desígnios, ou adentramos pelo caminho tormentoso da melancolia, depressão, indignação... Nesse caso, ao invés de poder ser um ombro amigo ao nosso familiar, estaremos fomentando mais negativismo.
No primeiro caminho, encontraremos amparo, esclarecimento e consolo numa concepção mais ampla sobre a vida. É necessário observarmos a vida com os olhos da transcendência, não nos limitando somente aos fatores corporais e, portanto, materiais da existência.

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