segunda-feira, 25 de julho de 2011

Palestra: Espiritismo e Literatura Espírita

 Matéria retirada do site da Biblioteca Publica Fernandes Bastos. Acesse no link http://pmobiblioteca.wordpress.com/

O Espiritismo e Literatura Espírita foi o tema abordado na noite do dia 21/07 (quinta-feira) na Biblioteca Pública. Com propriedade o escritor e historiador Jerri Roberto Almeida deu uma aula sobre a filosofia espirita e a literatura existente nesta área. Segundo a bibliotecária este tema foi incluído na programação do 68º aniversário da Biblioteca devido a grande procura dos leitores na seção de livros Espiritas. 

Jerri R. Almeida é professor, historiador desde 1988 realiza palestras públicas e coordena grupos de estudos. É trabalhador da Sociedade Espirita Amor e Caridade em Osório ocupando diversas funções no movimento Espirita do Litoral Norte. Atualmente, tem voltado para o estudo da convivência e das relações familiares realizando palestras e seminários. Como escritor publicou diversos artigos sobre História, Literatura e Filosofia em jornais e revistas especializadas além de diversos livros publicados. Foi escolhido como Patrono da 26ª Feira do Livro de Osório que ocorrerá de 28 de novembro a 4 de dezembro de 2011.





 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

REFLEXOS DA PÓS-MODERNIDADE

O Pós-Segunda Guerra Mundial gerou não somente uma mudança na geopolítica internacional com o advento da Guerra-Fria, mas, igualmente, ensejou uma nova dinâmica no âmbito das relações humanas, estruturada sob a égide de uma sociedade tecnológica. Essa sociedade do pós-guerra,  que propôs rupturas com a idéia de totalidade ou universalidade de valores – no mundo Ocidental – é,  genericamente, denominada pós-moderna ou pós-industrial.  Enquanto a  Modernidade foi representada pela sociedade industrial que valorizava a disciplina, o controle, a estabilidade... a pós-modernidade caracteriza-se, justamente, pelo princípio da incerteza, insegurança e da relatividade. 
Na modernidade, a vida individual e coletiva era pensada a partir da idéia de um tempo linear, isto é, o passado servia de experiência para ordenar o presente e, tudo aquilo que não se lograva conquistar no presente, projetava-se em aspirações e expectativas para o futuro, ou seja, construía-se um projeto, uma meta e buscava-se persegui-la.
Em oposição a este quadro, a pós-modernidade caracteriza-se, entre outras coisas, pela ruptura com esse tempo linear: passado, presente e futuro. Fixando-se essencialmente no presente através do desejo de viver intensamente o momento. A procura pelo prazer imediato, a valorização extrema da imagem sobre a realidade, a cultura do consumo, o individualismo e a competição, ao invés de gerarem felicidade, têm construído painéis  de solidão, medo e vazio existencial.
Transitamos de uma sociedade repressiva, em todos os níveis (governos ditatoriais, família patriarcal, escola autoritária, fábricas opressoras...daí o rompimento com a idéia de “totalitarismo”, também vinculado à noção dos valores) e, no ímpeto por liberdade, adentramos num modelo de sociedade diametralmente oposta, onde tudo passou a ser permitido. Confundiu-se liberdade com libertinagem e acabamos no dilema shakespeareano do “ser ou não ser”.
Na arte, principalmente no cinema, temos a expressividade desses novos paradigmas. O Exterminador do Futuro e O Caçador de Andróides, entre tantos outros, passam-se num mundo técnico com novas regras de trabalho e ambiente biotecnológicos. Temos, portanto, o retrato da percepção caótica do espaço-tempo ou a arte do fantástico e do hiper-real.
Não há dúvidas que a família, nesse complexo processo sociológico da pós-modernidade, sofreu mudanças organizacionais e, mesmo, estruturais. A visão de uma família nuclear, por exemplo, já não pode ser vista como um modelo familiar exclusivista. Todavia, a família – com seus acertos e desacertos – continua sendo a pedra angular da sociedade humana.
O Espiritismo, em sua ampla e profunda análise sociológica, postula a relevância dos laços familiares na construção da espiritualidade humana. A família, portanto, é um valor universal no processo de aprimoramento dos indivíduos e das sociedades, cuja recrudescência, seria um “retorno ao egoísmo”, em sua expressão mais ancestral. 
Os dilemas da vida pós-moderna projetam no seio da família múltiplas turbulências na área dos valores e dos relacionamentos. Na agitação da vida hodierna, muitos pais  preocupam-se unicamente em amparar materialmente seus filhos, negligenciando, muitas vezes, a educação moral-espiritual, formadora do homem de bem. A criança socializa-se muito cedo nas creches e dispensa outras longas horas na frente de um televisor, com mensagens consumistas, agressivas e sensuais. A ausência do diálogo construtivo e orientador, na intimidade doméstica, substituído pelas conversações estéreis e negativistas, colaboram para a modelagem de um quadro sócio-educacional-familiar  muito delicado, exigindo imperiosa revisão. 
Assim como muitas instituições educacionais, a família, mergulhada em seus dilemas, parece ter  perdido a noção e o sentido da educação profunda que lhe cumpre ministrar às novas gerações. Todos nós somos co-responsáveis na edificação de uma sociedade mais equânime e verdadeiramente cristã.  Estamos convencidos que essa sociedade deve iniciar dentro dos lares, tendo por fio condutor uma boa educação. Essa educação deve iniciar – fundamentalmente – no período gestacional. Nessa fase, os pais gestantes e o espírito reencarnante estão profundamente vinculados afetiva e psiquicamente. Os pensamentos de equilíbrio, carinho, positividade dos  genitores tenderão a ser absorvidos pelo filho-espírito, sensibilizando-o para a atual existência.

terça-feira, 12 de julho de 2011

REFLETINDO SOBRE O LIVRO DOS MÉDIUNS

Do Maravilhoso e do Sobrenatural

A partir dos estudos e pesquisas no campo da mediunidade, evidenciando a realidade do espírito, sua natureza e sua rota evolutiva, abole-se a categoria “sobrenatural”. Tudo é natural. Os fenômenos espíritas se explicam racionalmente. Kardec apresenta argumentos e contra-argumentos buscando situar o fenômeno mediúnico dentro de uma ordem natural. O Espiritismo, então, apresenta um modelo explicativo da vida e dos múltiplos fenômenos espirituais dentro de uma organicidade que liga todas as coisas. Em O Que é o Espiritismo, Cap. I, “O maravilhoso e o sobrenatural”, diz Kardec:

O Espiritismo tende, evidentemente, a fazer reviver as crenças fundadas no maravilhoso e no sobrenatural; ora, no século positivo em que vivemos, isto me parece difícil, porque é exigir que se acredite nas superstições e nos erros populares, já condenados pela razão.

A mentalidade humana, ao longo do tempo e da cultura, havia construído um imaginário infantil sobre o “desconhecido”. Kardec, no entanto, assevera, nesse capítulo, que: “A explicação dos fatos que o Espiritismo admite, de suas causas e consequências morais forma toda uma ciência e toda uma filosofia, que reclamam estudo sério, perseverante e aprofundado.”
Retirar o “véu” que encobria certos fenômenos, e inclusive a própria essência humana, dando-lhes explicação racional, com base numa rigorosa metodologia. O imperativo é compreender, o máximo possível, as leis que regem os fenômenos. Sob esse aspecto, percebemos a originalidade do trabalho desenvolvido por Allan Kardec, desvelando as leis naturais da vida.

 Do Método

Comecemos por definir a palavra “método”: do latim tardio: methodus, do grego: methodos, de meta: por através de; e hodos: caminho. Método significa, portanto, um conjunto de procedimentos racionais, baseados em regras, que visam atingir um objetivo determinado. De forma mais clara: é o caminho que utilizamos para atingir um propósito.
Em seus textos Discurso do Método e Regras para a Direção do Espírito, René Descartes      (1596-1650) já destacava: “O método é necessário para a procura da verdade”, isto é: “Para bem dirigir a própria razão e buscar a verdade nas ciências.” A adoção de um método evidencia o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, na verdade, é o que denominamos de “bom senso” ou “razão”. Allan Kardec foi herdeiro natural do pensamento racionalista dos séculos XVII e XVIII, e, em parte, do positivismo de sua época. É de Augusto Comte (1798-1857), o pai do Positivismo e contemporâneo de Kardec, a afirmativa: “Todos os bons espíritos, repetem, desde Bacon, que somente são reais os conhecimentos que repousam sobre fatos observados.” [Grifos meus]
Ora, Kardec escreverá em A Gênese, capítulo 1, item 13 que:

(...) a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sobre os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. [Grifos meus]

Mais importante que a própria “observação dos fatos” é a teoria explicativa que daí surge e seus efeitos éticos e morais. Nesse sentido, Kardec manifesta sua preocupação com a importância do conhecimento e do ensino espírita. Destacamos duas afirmações do Codificador, nesse capítulo, que os espíritas jamais poderão esquecer:

1º. Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar. (LM. Cap. 3, item 18)

2º. (...) tais os motivos que nos forçam a não admitir, em nossas sessões experimentais, senão quem possua suficientes noções preparatórias, para compreender o que ali se faz. (LM. Cap. 3, item 34)


Ainda hoje encontramos no Movimento Espírita, certos dirigentes que negligenciam essas instruções, sobretudo, no que tange ao acesso de pessoas estranhas às reuniões mediúnicas. Graves equívocos cometem, pois, nessa área, como em outras, a superficialidade é sinal de desconhecimento da própria complexidade que se reveste o processo mediúnico em seus múltiplos matizes. Ninguém se ariscaria a entrar num laboratório que produz vacinas para determinados vírus, sem o devido preparo de conhecimento e de roupagem própria, pois é um ambiente que exige cuidados redobrados.
Uma reunião mediúnica, guardadas as proporções, é uma espécie de laboratório de elementos fluídicos, emocionais e espirituais onde múltiplas reações ocorrem. Não se trata de tornar esse, um ambiente sacralizado, mas de preparar o grupo de trabalho para as possíveis situações que ali possam ocorrer. Sendo uma reunião de assistência e esclarecimento aos desencarnados, muitos desses apresentam-se com sentimentos enrijecidos em seus próprios dramas e complexos, muitas vezes nutridos por longo tempo. Sentimentos de vingança e ódio, de desespero e amargura, misturam-se, exigindo do grupo de trabalho o acolhimento fraterno, o equilíbrio pessoal, o conhecimento doutrinário para conduzir, de modo ingente e profícuo, todo esse processo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Há Espíritos? Apontamentos de Kardec

A realidade do espírito está consubstanciada na ideia de um princípio inteligente e sobrevivente à morte biológica. Essa noção acompanha o homem desde o limiar de sua caminhada evolutiva na Terra. Vejamos apenas um exemplo: A civilização do Nilo atribuía à morte uma dimensão metafísica. Em O Livro dos Mortos, provavelmente com origem na V Dinastia (2.345 a.C.) os egípcios buscavam indicações sobre a passagem do morto pelas diversas etapas em sua jornada pós-morte.  Os rituais mortuários, no antigo Egito, caracterizavam a morte como uma continuação da vida. Daí a necessidade da preservação do corpo (privilégio, normalmente, da nobreza) para que o espírito a ele retornasse após sua jornada pelo mundo dos mortos. Atribuiu-se tal importância à morte que quarenta e cinco séculos antes de Cristo, na mitologia egípcia, Anúbis ou  Anpu, era o deus que presidia os embalsamamentos e os sepultamentos. Acreditava-se que o corpo devia ser conservado para permitir a sobrevivência do duplo (Ka), uma espécie de matéria vaporosa e colorida que adotava a forma do corpo e do espírito. O espírito ou alma (Ba), por sua vez, era representado por uma chama ou um pássaro que voaria na direção da luz ou acompanharia o seu sepultamento.
Considerando, portanto, o amplo universo do pensamento e da cultura, Allan Kardec assim se expressa:

Seja qual for a ideia que dos Espíritos se faça, a crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio fora da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Tomamos consequentemente por ponto de partida, a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, (...) que tem no Espiritualismo a sua demonstração teórica e dogmática e, no Espiritismo, a demonstração positiva. [Grifos meus]

Observamos na afirmativa acima, uma verdadeira revolução gnoseológica, onde o tema do espírito deixa de ser uma abstração metafísica, uma crença religiosa, para se tornar uma “demonstração positiva”, isto é, um fato materialmente demonstrável e, por isso mesmo, situado na categoria dos objetos de investigação, observação, análise, concordância universal, tudo isso apoiado no princípio científico de que não há efeito sem causa.
Admitindo, assim, a permanência da individualidade do sujeito, e de sua consciência após a morte corporal, Kardec postula que a natureza do espírito deve ser diferente, com propriedades distintas de seu corpo físico. Ultrapassada essa primeira questão, o problema, a partir daí, está em discutir para onde irá então o espírito após a morte do corpo. Kardec colheu informações sobre a vida pós-morte seja nas reuniões mediúnicas das quais participava diretamente, ou das cartas e mensagens que outros grupos recebiam e lhe enviavam para análise.
Tudo lhe indicava uma continuidade da vida, em uma geografia muito semelhante a da Terra, tendo por base uma dinâmica evolutiva. Por sua vez, esse processo evolutivo está subordinado ao estado moral da alma, decorrente de suas construções mentais, emocionais e volitivas ao longo do tempo. 

Referência

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 51ª. edição. Brasília-DF: Feb, 1985.

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