quinta-feira, 14 de abril de 2011

LANÇAMENTO!


"O professor Jerri Almeida lança seu novo livro: A CONVIVÊNCIA NA CASA ESPÍRITA. O livro faz reflexões importantíssmas, com base nos aconselhamentos de Allan  Kardec, sobre o cotidiano da casa espírita. Recomendamos a leitura, aliás, para nós estudiosos e dirigentes espíritas, a leitura é obrigatória como prevenção dos desastres contaminantes que o apego ao poder gera no meio espírita.
Vale a pena ler!"

Helena Bertoldo - Diretora do Departamento Doutrinário da FERGS

Essa Obra você encontra na Livraria Espírita Francisco Spinelli da Federação.
Visite o site da livraria:
ou pelo telefone (51) 3224-1493

domingo, 10 de abril de 2011

SEXUALIDADE PRECOCE

Nos dias atuais, não são poucos os pais e educadores que se inquietam com o prematuro exercício da sexualidade por parte significativa dos adolescentes. Apesar de vivermos na sociedade da informação, as famílias muitas vezes não se apropriam dessas informações para o diálogo orientador. Muitos pais partem, equivocadamente, do princípio que a mídia já está esclarecendo, ou que cabe à escola a orientação sexual dos seus filhos.
Na verdade, quem informa nossos filhos? Ou, que tipo de informação eles recebem? A cultura televisiva muito fala de “prazer”, mas pouco de “responsabilidade”.
Ocorre que, de forma preocupante, o índice de gravidez na adolescência vem aumentando no Brasil. Segundo dados do IBGE, a idade da mãe na ocasião do parto, no período de 1992 a 2002, aumentou significativamente entre jovens na faixa dos 15 aos 19 anos. O que se poderia esperar se meninas de 11 a 14 anos passam a noite nas “baladas”, com a permissividade dos pais?
A orientação sobre sexualidade saudável deve ter sua base mais substancial na educação familiar. Joanna de Ângelis em seu livro Adolescência e Vida, adverte: “Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pela alegria de viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, mas cujas práticas demonstram o contrário.”  (p. 35)
No processo de educação dos filhos, um sentimento quase sempre esquecido é a vergonha. A vergonha é um sentimento social que nasce na relação com o outro, mas também possui um componente moral, que visa regular o comportamento humano, pois busca restringir e adequar suas ações, ordenando a conduta.
O ser humano é orientado por emoções e sentimentos que fazem parte de nossa vida psíquica e social. Sabemos, também, que um sentimento pode ser positivo em um contexto e negativo em outro.  A “vergonha positiva” é aquela que regula ou inibe uma ação moralmente reprovável, conforme a convenção dos valores humanistas. A vergonha é um sentimento saudável no momento em que se torna, por exemplo, inibidor de uma exposição exagerada da sexualidade, atuando no resguardo da intimidade própria do sujeito. Na educação familiar é imperativo, sob esse aspecto, a preservação do sentimento de vergonha. Observamos, no entanto, que quando se trata de filha mulher, a criança, seja por vontade própria ou dos pais, passa a usar roupas que permitem uma exposição exagerada do corpo. Muitas dessas crianças assim agem buscando incorporar seus ídolos, principalmente cantoras e apresentadoras de programas infantis. A criança torna-ser refém, desde pequena, e muitas vezes com a anuência de seus familiares, dessa cultura da exposição, que rompeu com o sentimento de vergonha, sob o impulso do princípio do prazer.
Considerando-se que a sexualidade é intrínseca do espírito, e que este possui todo um passado de vivências nessa área, seria justo que os pais percebessem que todo estímulo precoce à sexualidade na criança poderá, conforme a bagagem que aquele ser já possua, gerar condicionamentos mentais que lhe afastem de preservar sua própria intimidade. A partir daí, define-se uma lógica da permissividade onde tudo passa a ser “normal”, caindo-se no perigoso relativismo da “naturalidade”.
Enquanto a filha mulher está mais exposta a uma cultura que lhe induz a exposição exagerada do corpo e da intimidade, o filho homem é detentor de uma cultura familiar que relaciona a afirmação da masculinidade com o exercício sexual. Essa conduta familiar muito forte no passado, ainda encontra os seus remanescentes na contemporaneidade. 

domingo, 3 de abril de 2011

SEXUALIDADE & CONJUGALIDADE

Na estrutura cerebral mais antiga, representada pelo diencéfalo e nos chamados núcleos da base do cérebro primitivo, incluindo a hipófise e a epífise, encontram-se registrados os instintos primários, incluindo o instinto sexual. O hipotálamo, por exemplo, comanda a hipófise, que, por sua vez, administra a estrutura neuro-hormonal genital.
O espírito Joanna de Ângelis, realizando um valioso estudo sobre a sexualidade humana, em seu livro: Encontro com a paz e a saúde, acrescenta que:

Sendo um dos instintos primários de grande vigor fisiológico, a sua função origina-se quando da liberação da luliberina, a responsável pelo controle dos hormônios sexuais, produzida no hipotálamo. Quando mínimas quantidades desse neurotransmissor são liberadas e captadas pelo diencéfalo, de imediato desencadeiam o desejo sexual. Da mesma forma, outra substância, a oxitocina produz o mesmo resultado, o que faz seja a busca sexual um fenômeno biológico portador de grande força (...) quando se associam a dopamina e a betaendorfina, facultando a atuação sexual ao lado do desejo... (p.157-158)

Mas para que não venhamos a limitar a manifestação sexual exclusivamente a um fisiologismo cerebral, Joanna adverte ainda que:

Como é certo que os hormônios são responsáveis pelas ocorrências do prazer e do desconforto moral, da harmonia como da agressividade, da alegria como da tristeza, é o espírito que imprime nos neurônios a capacidade de produzir esse ou aquele neurotransmissor responsável por tal ou qual finalidade. (p. 165)

Sendo verdade que no diencéfalo se expressam os variados estados de excitação e a ânsia do desejo, favorecendo as reações fisiológicas da sexualidade, também é correto afirmarmos que o agente indutor de todo esse processo é o ser espiritual. Portanto o cérebro expressa, por automatismos, as contingências do eu profundo. 
Na configuração dos relacionamentos afetivos, a sexualidade responde por uma valiosa permuta de energias entre o casal. O espírito André Luiz, não por acaso, fala em: “renovação dos impulsos”, e “partilhar compromissos”. Sim, a vida conjugal impõe, naturalmente, o desafio na construção de projetos comuns, onde o diálogo e o companheirismo estruturam uma convivência compensadora. Para isso, no entanto, o casal não deve descuidar do papel conjugal, ou seja, a continuidade do namoro, a ternura, os momentos de privacidade e lazer a dois.
É comum, depois que nascem os filhos, o casal virar “pai e mãe”, negligenciando a sexualidade. Evidentemente, durante um determinado tempo, após o nascimento de um filho, é justo que o casal passe a dar uma atenção maior aos papéis de pai e mãe. Todavia, com o tempo, o casal deve retomar seus momentos de intimidade, até mesmo, para aliviar um pouco as tensões da maternidade/paternidade. Jantar fora, pegar um cinema, são investimentos preciosos na saúde do casamento. Tudo o que cuidamos dura mais!
Muitos casais vivem uma rotina angustiante, corroendo as engrenagens do relacionamento por falta de manutenção do afeto.  A partir daí, os impulsos agressivos e os desentendimentos vão se tornando cada vez mais frequentes, com reflexos na administração dos problemas que surgem no dia a dia da existência. 
A função sexual traduz uma troca não somente de carícias, de satisfação dos desejos, mas uma verdadeira simbiose energética, potencializando o relacionamento. Muitos casais parecem ter negligenciado a dimensão positiva da sexualidade no conjunto da vida conjugal. Nessa dimensão, ocorre a possibilidade singular de comunicação entre duas individualidades que, reciprocamente, buscam uma unidade.
O sexo no casamento é um revitalizar do afeto, e não somente a expressão fisiológica das estruturas hormonais. É uma permuta de vibrações psíquicas altamente positivas para a integração dos cônjuges. André Luiz, em seu livro: Sexo e Destino, informa que a união sexual produz uma permuta de energias perispirituais que estimulam a realização entre as almas.  Muitas vezes distorcido pelos valores da cultura pós-moderna, o sexo  é visto como um produto para o prazer fugaz e para a ruptura com a solidão.
A manutenção da sexualidade, regada pelo carinho e entendimento, é fator importante para o equilíbrio do relacionamento. Quando as primeiras dificuldades emocionais aparecem, o distanciamento sexual surge, veladamente ou não, como um fator conflitivo.
Devemos atentar que certos bloqueios na área da sexualidade, principalmente feminina, podem ter ocorrências em vivências sexuais traumáticas, no passado reencarnatório, onde a mulher era obrigada a casar muito nova, sem nutrir amor pelo futuro marido. O ato sexual para ela tornava-se verdadeiro sacrifício, muitas vezes acrescido pela brutalidade do homem. Essas experiências palingenéticas, não suficientemente elaboradas pelo ser espiritual, são passíveis de produzir conflitos inconscientes, bloqueios, medos injustificáveis que necessitam de psicoterapia adequada. Muitas vezes, os traumas são de ocorrências desagradáveis ocorridos na infância da atual existência. Crianças vítimas de violência sexual, ou que presenciaram tal violência, potencialmente podem se tornarem adultos com problemas na sua sexualidade.  
Esses dramas tendem a se manifestar no espaço ou na intimidade do casamento. Por não buscarem ajuda especializada, muitos desses casais terminam vivendo um relacionamento angustiante, permeado de queixas e acusações, culminando com a busca por experiências fora do relacionamento. A função da sexualidade continua sendo, em primeira instância, a procriação da espécie, o canal das reencarnações. Todavia, o desenvolvimento psicológico, afetivo e emocional saudável também passa pela dimensão de uma sexualidade bem resolvida. É da natureza humana que o ser se complete com outro ser que lhe corresponda aos anseios emocionais.
Por isso, quando existe a infidelidade no casamento, sobretudo vinculada direta ou indiretamente ao problema da sexualidade, o problema nunca é de um dos cônjuges somente. A mascara da vitimização é muito cômoda, pois exime a pessoa de compartilhar responsabilidades. Qualquer busca por uma solução adequada, deverá romper com esses discursos, uma vez que, na relação, o homem e a mulher são igualmente responsáveis pelo êxito ou o fracasso do casamento.  

Bibliografia

ALMEIDA, Jerri R. MARQUES, Silvano. Família Frente e Verso: Um olhar, a quatro mãos, sobre as relações. Porto Alegre: Editora Francisco Spinelli, 2009.
FRANCO, Divaldo P. (Pelo espírito Joanna de Ângelis) Encontro com a paz e a saúde. Salvador/BA: Leal, 2007. Cap. 8. Reflexões sobre a sexualidade.
FRANCO. Divaldo P. (Pelo espírito Joanna de Ângelis) Adolescência e vida. Salvador/BA: 1997.
GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade: sexualidade, amor  & erotismo nas sociedades modernas. Tradução de Magda Lopes. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993.
ROBERTO, Gilson Luis. Aquém e além do tempo. Uma visão psicológica e espírita das etapas da vida. Porto Alegre: AGE, 2004. Cap. 4. A sexualidade, a rede comunicante e a difícil arte de educar: alguns recortes da pós-modernidade.
VAINFAS, Ronaldo. Casamento, Amor e Desejo no Ocidente Cristão. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1992.

 Obs. O Texto integral desse artigo, sob o título: "Família e Sexualidade: as tranformaçôes na intimidade", foi publicado na Revista "A Reencarnação", número 440.



domingo, 27 de março de 2011

Os gregos e a morte: Mito e Razão


 Os Gregos buscaram, inicialmente, explicar ou representar a realidade através do mito. Aproximadamente entre os séculos XII e IX a.C.,  o pensamento grego encontro na faculdade mitogênica os modelos explicativos para a vida e a morte. O que desafiava o homem a produzir os mitos? O mistério. Nesse sentido se estrutura uma visão de mundo dualista, onde o físico se explica pelo transcendente e a busca pelo significado das coisas se processa pela imaginação.
Os mitos foram, sem dúvida, os modelos explicativos possíveis ao longo de diversas culturas e civilizações. Entretanto, não podemos vê-los como simples fantasias ou delírios da imaginação, pelo contrário, neles vemos toda uma forma de explicação simbólica da vida que, atualmente, encontra valiosos instrumentos interpretativos, por parte das ciências psicológicas.
Na mitologia grega, Tanatos é o deus da morte, filho de Érebo e da Noite que o criou sozinha, gêmeo de Hipnos, deus do sono. Daí a relação estreita entre a morte e o sono / o morrer e o dormir. Tanatos era representado como um homem alado, portando uma tocha apagada. Evidentemente não deveria ser um deus muito apreciado, provavelmente,  vivia na solidão, rejeitado pelos seres humanos em seu intento infame.
A filosofia grega tem seu nascimento entre os séculos VII e VI a C.   não significou, contudo, uma ruptura total com o pensamento mítico, mas pode-se dizer que houve um amadurecimento na forma do pensar. O discurso filosófico busca um saber racional, construído em boa argumentação. 
Com Pitágoras (570-496 a.C.) a morte é vista como a libertação da alma que, encerrada no corpo, cumpre um processo de aperfeiçoamento através de várias migrações em busca de uma vivência ética perfeita. Pitágoras e os pitagóricos contribuíram para o surgimento do conceito de imortalidade da alma individual e da transmigração desta, de um corpo para outro. Nesse momento não pretendemos fazer uma análise da concepção de alma e corpo para os gregos, assunto que reservamos um capítulo específico desse livro, mas nos interessa, objetivamente,  considerarmos que as diversas filosofias surgidas na Grécia, trataram do problema da vida e da morte.
 As filosofias dualistas (orfismo, pitagóricos, platonismo, Socráticos...) consideravam, de forma geral, a morte não como o fim da vida do ser, mas o término de um ciclo existencial onde o físico somente se explica pelo extrafísico, supra-sensível, transcendente.

Pesquise no Blog

Loading

TEXTOS/ARTIGOS ANTERIORES