quarta-feira, 27 de abril de 2011

O HOMEM DIANTE DA MORTE


A atitude do homem diante da morte na sociedade Ocidental tem sido objeto de inúmeras investigações no campo das ciências humanas e psicológicas. Um notável estudo foi publicado em 1975, pelo historiador francês Philippe Ariès.  Em seu livro “A história da morte no Ocidente”, Ariès buscou sistematizar o percurso do relacionamento do homem com a morte da Idade Média até o período em que  escreveu sua obra.
Phillippe Ariès nasceu em 24 de julho de 1914 e realizou seus estudos de História na Sorbonne. Em seus estudos sobre a Morte utilizou diversas fontes como: textos literários, as narrativas de La Fontaine, a Odisséia de Homero, e muitos documentos históricos, relatos de concílios,  a bíblia,  iconografias, registros de cemitérios....
Ariès apresenta uma diversidade de comportamentos da sociedade cristã Ocidental no trato com a morte.  Suas investigações indicam que: “Como muitos outros fatos de mentalidade que se situam em um longo período, a atitude diante da morte pode parecer quase imóvel através de períodos muito longos de tempo. Entretanto, em certos momentos, intervém mudanças frequentemente lentas”. 
Procuraremos, a seguir, e nas próximas postagens, expor sintéticamente algumas fases estudadas por Ariès da atitude do homem com a morte na sociedade Ocidental.

A Morte Domada

Essa fase refere-se a certa  “familiaridade” do homem com a morte, sobretudo, na  baixa Idade Média.  A morte era esperada no leito, em uma cerimônia pública e organizada pelo próprio moribundo. Seu quarto se transformava, então, em um lugar público, onde se entrava livremente.  O moribundo, assim, deveria cumprir os últimos atos do cerimonial tradicional: o primeiro ato era o lamento da vida, uma evocação triste referente aos seres e as coisas amadas... Após vinha o perdão dos companheiros, dos assistentes, sempre numerosos.  Finalmente, chegava-se o momento de esquecer o mundo e pensar em Deus.  Nisso, recorria a prece que compunha-se, basicamente, de duas partes: o “arrependimento”, pelos erros cometidos, e o rogar a  Deus pelo paraíso. 
O “identificar os sinais natural da morte” tornava-se relevante para o cerimonial e o preparo do sujeito.  Por isso a morte súbita era muito temida. Nela, além de não haver tempo para o arrependimento, corria-se o risco de morrer só.
Em seu quarto, o moribundo, ficava rodeado de parentes, amigos, vizinhos e, inclusive, de crianças que vinham para a despedida final. Nesse momento, o indivíduo pedia perdão a todos e deixava suas recomendações aos presentes. Devido ao quarto do moribundo transformar-se em um lugar público, os médicos no fim do século XVIII – que já haviam descoberto as primeiras regras de higiene – temiam pela disseminação de doenças contagiosas.
A pesar de sua familiaridade com a morte, os medievais temiam que os  “mortos voltassem” para perturbar os “vivos”.  Na verdade, já na Roma Antiga a Lei das Doze Tábuas proibia o enterro nas cidades.  Os cemitérios ficavam situados à beira das estradas como a Via Appia. 
Segundo Ariès, não se tinha a ideia moderna de que o corpo do morto deveria ser enterrado em uma fossa só para ele, em que seria o “proprietário perpétuo”.  Na verdade, existiam fossas comuns. As chamadas “fossas dos pobres” eram largas e os corpos ficavam amontoados, sem caixão. Os "defuntos mais ricos", no entanto, eram enterrados no interior de igrejas,  a fim de tomarem o mesmo destino, vejam só, dos “santos”. 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

FEIRA DO LIVRO

I Feira do Livro Espírita da FERGS e Maratona de Autores
      A Livraria e Editora Francisco Spinelli promoverá a I Feira do Livro Espírita da FERGS e Maratona d e Autores.
Com promoções de até 60% de desconto em todas as obras das mais diversas editoras, o evento contará com a presença de vários autores em seminários e oficinas.
      A Feira vai de 04 a 07 de maio, sempre das 09 as 19h. A entrada é franca. Qualquer pessoa pode participar.
Basta preencher online sua ficha de inscrição (http://www.fergs.org.br/portal/blog/2011/04/25/seminarios-com-autores-da-editora-francisco-spinelli/) ou comparecer nos eventos.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

NOSSOS POTENCIAIS

Conta uma antiga fábula que na China antiga, havia um reino que enfrentava muitos problemas. A miséria se alastrava e, apesar de haver muitas terras, a agricultura estava em crise. O rei, certo dia, percebendo os desafios de seu reinado, reuniu suas quatro filhas e avisou-lhes que iria fazer uma grande viagem em volta do mundo. Dessa forma, buscaria mais sabedoria e experiências para governar seu reino e prover as melhoras necessárias. Despediu-se de suas filhas, chamando-as uma a uma. Abraçou afetuosamente a primeira filha dando-lhe um presente: um grão de arroz;  a segunda filha igualmente recebeu um abraço e um grão de arroz.A terceira e a quarta, da mesma forma.
Com a ausência do pai, a primeira filha chamou um artesão do castelo e ordenou-lhe que fizesse uma caixa de ouro para guardar aquele presente. A segunda filha, de forma autoritária ordenou a uma costureira do castelo que fabricasse uma bolsa de sedas finas da Pérsia, onde acondicionou aquele pequeno grão de arroz e guardou entre seus pertences. A terceira filha, asseverando que seu pai já estava muito velho e, provavelmente, perturbado mentalmente, olhou para aquele pequeno grão de arroz e sem ver maior significado naquele presente jogou fora. A quarta filha, pegou aquele grão, dirigiu-se à enorme janela do castelo, observando os campos ociosos, e mergulhou em profundas reflexões.
O tempo passou! O rei estava de volta, agora, muito mais sábio e enriquecido pelas tantas experiências da viagem. Logo, reuniu as filhas na grande sala da casa senhorial. Chamou a primeira filha e perguntou o que havia feito do presente que ele lhe tinha dado. Ela mostrou o cuidado e o carinho com o valioso tesouro, bem resguardado em um pote de ouro. A segunda filha, igualmente, considerou seu cuidado em guardá-lo entre suas outras riquezas. A terceira filha, correu rapidamente na cozinha do castelo: “- Há! Grão de arroz é tudo igual”. Pegou um grão qualquer e, diante do velho pai considerou de forma hipócrita: “- Eu o guardei com tanto carinho!” Finalmente chegou a vez da quarta filha.   Amorosa, ela abraçou seu pai e o convidou a aproximar-se da grande janela. Contou que quando recebeu aquele grão de arroz como presente imaginou que tratava-se de alguma mensagem que seu pai lhe desejava transmitir e ficou pensando e refletindo. Observou os campos ociosos e os camponeses famintos. Então lhe surgiu uma idéia! Quem sabe, se plantasse aquele pequeno grão, cuidando dele e lhe oferecendo as condições necessárias, ele poderia germinar, florescer... Quando o rei olhou pela janela e avistou um fabuloso arrozal de vastas proporções, os camponeses trabalhando a terra, o alimento era farto, ele percebeu emocionado que aquela filha soubera fazer florescer os dons da vida.
Transformar os elementos da vida em recursos produtivos, de crescimento interior e humanístico, faz parte do desenvolvimento do processo criativo da criatura humana, que permite “fazer florescer” a felicidade. Muitas pessoas são infelizes porque vivem, à semelhança das três primeiras filhas do rei, submersas na inconsciência sobre o verdadeiro sentido dos valores da vida. Vivem, numa consciência de sono, adormecidas, sem idealismo, nutrindo suas angústias e frustrações de um passado perdido, ou então, permanecem escravizadas no desejo individualista de possuir o que não têm. Esses estados mentais ensejam uma espécie de “letargia” em relação a sua felicidade e a sua potencialidade criativa.
Estamos nos ensaiando no campo da experiência pessoal e convivencial, para o despertar de uma consciência cósmica de integração com a vida: “Eu e o Pai somos um!” Nessa caminhada, é imperativo o desenvolvimento do amor. A pessoa psicologicamente imatura deseja sempre “receber” da vida, tornando-se um eterno pedinte. O homem sábio, e feliz, constrói sua felicidade tornando-se útil à vida. Doa-se, sem jamais requerer algo em troca, pois percebe que sua satisfação é fruto da sintonia com o Universo, que serve na quietude de sua grandeza.
O próprio Universo é maravilhosamente dinâmico. Para Von Dech, o filósofo grego Heráclito acreditava que a maioria das pessoas não consegue perceber essa grandeza da vida por viverem reféns de sua forma limitada de perceber os valores mais profundos. É aquela velha questão: “tem gente que não consegue agarrar o que está bem na palma de sua mão.” Assim, a felicidade é uma possibilidade potencial de todas as pessoas. Jesus, o notável profeta Galileu, nada falou em contrário e, de lá para cá, diversos pensadores e religiosos reafirmam que o estado de felicidade é fruto de uma opção consciente, regada ao sabor do esforço e da doação pessoal.


Do Livro: O Desafio da Felicidade - Em um mundo em tranformação. Porto Alegre: Ed. Francisco Spinelli, 2007. De Jerri Almeida

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A CONVIVÊNCIA NA CASA ESPÍRITA


"O livro nos fala, fundamentalmente, do valor da convivência na casa espírita que, sendo fiel aos postulados kardequianos, logrará atender aos seus deveres maiores em consonância a função regeneradora da Doutrina dos Espíritos junto à humanidade.
            Na manutenção dos relacionamentos humanos na casa espírita, fica evidente na obra, que o “calcanhar de Aquiles” está em nossas próprias imperfeições que, por sua vez, podem prejudicar a missão institucional do centro espírita através de ações que as materializam no labor, quando a nossa sombra interior ainda predomina em nossos comportamentos.
            O autor também nos alerta quanto às “rachaduras” que favorecem a ação espiritual perturbadora no âmbito de nossas instituições, destacando dentre as posturas aflitivas adotadas: o ciúme, as intrigas, as disputas internas, os melindres e os corrosivos ressentimentos. Entretanto, não deixa de apontar os saberes necessários à superação dessas problemáticas através da perfeita comunhão de vistas e sentimentos, da cordialidade recíproca que deve nortear a nossa convivência e da presença predominante da caridade cristã, além do desejo real de instrução e melhoramento individual dos que fazemos parte do quadro de colaboradores dos grupos espíritas.
            Recordemos que, como alternativa à humanidade sedenta de espiritualidade e,  por vezes, perdida num deserto de sentido existencial aparentemente insolúvel nos discursos do materialismo científico, tanto quanto, na ilusão do formalismo religioso, o Espiritismo vem re-ensinar o Cristianismo do Cristo, comunicando os meios práticos de sua aplicação no planeta interno e na práxis social."

Vinícius Lousada
Mestre em Educação, escritor e expositor espírita

Pesquise no Blog

Loading

TEXTOS/ARTIGOS ANTERIORES